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Uma loucurazinha de desejo e instinto, by Fabian Balbinot « Marypop gfdfgd

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DOCES INDECÊNCIAS

Não sei o que é isso que escrevo, mulher feita de beleza.

Não sei para onde vou.

Digito apenas, subjugado pela inspiração.

Sigo os caminhos das palavras que me são apontados pela minha bússola peniana.

Ela aponta para ti, o norte de meu descaminho.

Ergo meu mastro, velas de desejo no ar, singro os mares enfeitiçados da paixão… sem rumo, rumando para ti.

Não há ordem neste texto. Não há cronologia. O ontem se confunde com o hoje e o amanhã, e todos os tempos são desejo e foram escritos para te confundir.

Bem vinda seja, deusa do amor, ao meu delírio.

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Angelina+Jolie+-+Vogue+Chemise

CANTADA EM PROSA

Linda criatura. Divindade em um corpo de mulher. Inspiração. Ave-do-paraíso.

Mulher divina, mulher demoníaca. Vampira que passa por mim e me hipnotiza, suga minha atenção, deixando-me zonzo, sem foco. Deixa-me cansado, alimenta-se de minha libido.

Odeio-te de tanto que te desejo. Quero que meus olhares te dispam, te toquem a pele, façam cócegas em ti, te causem queimaduras e calores.

Olho o movimento terno de tuas coxas, teu andar lânguido, a expressão suave de teu rosto de anjo, e te detesto de tanto amor que sinto. Sinto-me mal de tão bem que me faz poder ver-te.

Quero o teu mal. Quero que sintas desconforto de tanto prazer. Quero te entorpecer.

Julgo-me no direito de vingar-me pelos frenesis e sevícios de amor e desejo que causas em mim. Vingo-me em prosa por adorar-te, por ser escravo da magia do teu andar quando te vejo na rua.

Desejo punir-te com tantos e quantos sinônimos de amor, desejo, tesão e doçura eu consiga enumerar. Teu coração é o alvo de minhas adagas de dígrafos. Hiatos de falta de ar que acossem teu peito.

Sonho poder amar-te durante um encontro vocálico. Penetrar teu sexo na casualidade de um encontro consonantal. Interjeições é o que quero ouvir de tua boca enquanto te tomo em meus braços de texto e te possuo.

Quero revisar-te de cabo a rabo e encontrar teus erros, sublinhando-os com meu gozo. E ampliar a gama de significados da palavra “prazer” em teu dicionário.

Quero descrever-te e escrever-te, representar teu corpo, esculpi-lo com palavras e frases, e aprisionar teu espírito à paixão por meio da arte escrita.

Desejo possuir-te com palavras. Orgasmos por escrito, letras seminais pingando em tua mente.

Desejo escrever-te como um homem escreve uma mulher, agarrar tua atenção com a força dos verbos, apertar tua imaginação com substantivos, excitar tua libido de tantos adjetivos.

Desejo escrever-te por trás, pela frente, de quatro, papai-e-mamãe, em meu colo…

Escrever-te e fazer com que leias até a última gota.

Estuprar-te, violentar-te com a luxúria das palavras.

Sinto arrepios e calafrios quando passas por mim, lendária, impossível.

Sou teu sumo-sacerdote. Nasci para adorar-te. Ver-te é a filosofia da minha religião. Imaginar-te, minha oração.

Ter teu corpo seria o rito principal de meu culto. Teu pecado, a minha absolvição.

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QUERO

Imagino tuas duas bocas de lábios carnudos e a dúvida me consome… qual seria a melhor para beijar? Imagino teus seios, teu ventre, teus pelos pubianos, pastagem e montanhas delicadas e macias de uma mulher-horizonte, mulher-paisagem, mulher por-do-sol, espetáculo espetacular, paisagem viva, ilha que flutua elegante, preenche minha vista toda e me põe boquiaberto de tanta admiração.

Quero exalar o perfume de meu hálito de isca menta-hortelã pelo teu corpo, impregnando tua pele com odores afrodisíacos que te atraiam e te desconcertem. Quero capturar-te, penetrar em teu ventre com  minha lança, criatura selvagem, fascinante, única de sua espécie.

Quero colocar-te em uma jaula para ver-te todos os dias.

Quero sacrificar-te para que sejas a última das iguarias. Quero besuntar teu corpo quentinho e gostoso   com minha saliva. Temperar tua carne com o sal do meu suor. Saborear-te. Provar-te. Comer-te com a avidez dos glutões. Chupar teus sucos como se fosses uma fruta de sobremesa sem fim.

Quero, quero e quero… palavra maldita, egoísta.

Quero poder ser teu em todos os momentos que me desejares.

Quero que te inflames de desejo, e que teu sexo sofra uma hemorragia gotejando néctares sem parar.    Quero que a calcinha que te protege esteja sempre úmida, em uma vertente perpétua de tesão.

Meu egoísmo é tão medonho que chego ao extremo de querer o teu prazer o tempo todo. Que ele nunca acabe. Barbárie! Vilania! Insano e cruel, deixar-te enjoada, sufocada em uma eternidade de prazer.

Querer te ver. Ver-te sem querer. Ver-te calma. Ver-te irritada. Ver-te sorridente, rindo. Ver-te chorando. Ver todos os teus trejeitos, todas as tuas emoções. Ver-te verter…

Quero abrir-te toda, usar todas as tuas portas, visitar todos os teus recônditos, procurar em todos  os teus cantos pelo prazer que tu escondes.

Quero entrar e sair de ti como quem tem pressa e quer correr, ou devagar, como quem não tem nada pra fazer depois.

Que o Kama Sutra seja o guia prático para nossa atividade física, e o Delta de Vênus, a bíblia de nossa religião.

Quero que não consigas me esquecer jamais. Que estas frases desencontradas, feitas de luxúria e loucura te acompanhem pelo resto dos teus dias.

E o meu quero-quero egoísta volta a cantar para ti o seu canto repetitivo…

Quero-quero isso.

Quero-quero aquilo.

Bem-te-vi, por isso te quero-quero.

E vou querendo mais e mais…

Quero ser grosseiro, penetrar-te, fazer-te mulher com fúria, verdadeiro animal, chamar-te de cadela e vadia. Depois ser amável, dócil, gentil, tocar-te a pele como se eu fosse feito de veludo. Dizer palavras de pura candura em teus ouvidos. Submeter-me a ti como um reles escravo dos teus encantos.

Sinta-se elogiada desde já. Condeno-te ao elogio eterno, a ser varada por minha adoração. Cem chibatadas de minha admiração a arderem na tua pele.

Espeto teu sexo com centenas de palavras picantes e ardentes, apenas para que ele fique vazando amores, fora do teu controle.

Quero ser carnal, exato, científico, ao te experimentar. Lamber a tua flor e fazer com que te esvaias em um gozo de substâncias sem fim. Drenar todo o teu mel, toda a tua consciência, toda a tua alma, deixando-te seca de líquidos, de emoções, de vida. Provocar estertores em teu corpo. Destruir tua consciência. Dúzias de últimos suspiros. Matar-te de tanto amor.

Reviver-te depois, como um mago, alquimista, ou um santo, com beijos longos, beijos sem fim, inundando tua boca com minha química, nossas línguas em luta franca como duas enguias, enrodilhando-se em um combate mortal de amor.

Reviver-te para amar-te com duplos sentidos, duplas direções, ir e voltar em ti. Consumir litros dos caldos aromáticos de tua doce vasilha. Brindar o teu fim e teu reinício, tampando com rolha comprida e firme o bocal do cantil onde armazenas teu licor. Esfregar e friccionar a longa tampa,  lavando-a e lubrificando-a na tua poção do amor. Abrir-te de novo, pois a sede de ver o teu prazer me consome. Lamber-te, beber-te, embriagar-me outra vez em teu inebriante álcool natural.

Quero esgotar-te até mesmo em minha memória, que insiste em que eu torne a ver-te e a lembrar-me de ti, de formas que escapam de minha razão.

Quero que sumas e que nunca tenhas existido, mulher-anjo, genialidade evolutiva, design vindo de Deus, ápice da criação.

Quero que a perfeição seja impossível, para que, assim sendo, tu também o sejas. Quem sabe  assim escapo-me de ver-te, de lembrar de ti e da sufocante perfeição desse teu corpo e face ideais de mulher, que tanto me atormentam.

És um vício que povoa a minha mente por meses a cada vez que te vejo. Dependo de ver-te para viver. Se for para morrer, que seja com uma overdose de ti.

Ó, que a tortura prossegue, é sem fim, pois tu, deusa do amor, és perfeição. És a encarnação do impossível. És coisa que nem quero mais tentar entender.

Quero poder ler estas palavras, toda essa insana composição, sopa de desejos, rouco, gaguejando, ler todo esse texto em tua frente, junto de ti.

Envergonhar-te. Ruborizar-te.

Agarrar tua alma com minha voz e meu texto lascivo. Tomá-la de ti. Privar-te de uma alma, e de vontade, e de desejo que não o de seres minha.

Escravizar-te. Trancafiar-te em um quarto escuro de anseios sem fim. Tolher a liberdade do teu raciocínio. Prender teus braços em grilhões invisíveis de desejo. Deixar-te jogada em uma prisão lasciva, e que de lá só possas sair se me procurares, se gritares a mim por liberdade, piedade, clemência… se me permitires introduzir em ti a chave da minha própria volúpia.

Ó, mulher linda, que me atormenta, me desconcentra, me desconcerta.

Agradeço-te, diva, megera, por existir, e, pobre que sou, permito a ti que continues a torturar minha alma sempre que na rua passares por mim.

Tua satisfação me satisfaz. Meu prazer é feito do teu prazer.

Teu sorriso será sempre parte da minha felicidade.

Obrigado a ti, anjo de inspiração, por existir.

by Fabian Balbinot

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